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Bicicleta de estrada com freio a disco vale a pena?

Bicicleta de estrada com freio a disco vale a pena?

Mais eficientes e seguros, os freios a disco estão ganhando cada vez mais espaço no ciclismo de estrada. Mas, será que eles valem a pena para você?

Nos últimos anos, a tecnologia dos freios a disco vem se tornando cada vez mais comum nas bicicletas de estrada. Mas, assim como aconteceu quando os discos começaram a se popularizar no mountain biking, muita gente ainda não sabe se, para as “road bikes”,eles valem ou não a pena.

Estrada Vs. MTB

No Mountain biking, apesar de certa resistência, rapidamente a tecnologia dos discos evoluiu e, por tratar-se de um esporte fora de estrada, as inúmeras vantagens do freio a disco rapidamente tornaram-se evidentes. 

Porém, no ciclismo de estrada, onde as condições são aparentemente mais controladas, é normal achar que o bom e velho freio de ferradura é o suficiente – até porque, se nada sair fora do script, ele realmente basta.

Mas, apesar de menos comuns, as “saídas do script” também acontecem na estrada e principalmente nas cidades, e é aí que o freio a disco torna-se seu maior aliado!

Freios a disco oferecem mais segurança na chuva

Se sua bike for equipada com aros de fibra de carbono, muitas vezes você vai encontrar sérias dificuldades com o desempenho dos freios de ferradura, especialmente se o tempo estiver molhado.

 

Mas, mesmo que você utilize rodas de alumínio, que costumam segurar bem no molhado, o simples fato do aro passar muito perto ou por dentro da água em algumas situações vai fazer o freio perder eficiência – por outro lado, o disco fica no centro da roda, muito menos sujeito aos elementos. 

Em serras longas, a sujeira da rua misturada com a água pode “comer” um jogo de sapatas de freio de ferradura em apenas alguns quilômetros, o que nos leva a outro “probleminha” dos freios deste tipo: o desgaste do aro. 

Freios de ferradura desgastam o aro

O processo pode até ser lento, mas ele definitivamente acontece. Na bike com freios a ferradura, cada vez que você aperta a manete, as sapatas encostam no aro, e ambos os componentes sofrem desgaste. 

Em condições de chuva, a sujeira da rua cria uma pasta esfoliante com pequenos grãos de areia e outros detritos que grudam no aro. Quando a sapata encosta no aro, tudo isso funciona como uma lixa, o que pode inclusive ser ouvido ao acionar o freio, acelerando bastante o desgaste dos componentes. 

Com o passar do tempo, o aro fica com as paredes finas e, eventualmente, deve ser substituído. Quando comparado com um disco, trata-se de uma troca mais cara, já que além de comprar o aro, será preciso desmontar e remontar a roda.

Os discos, por outro lado, até sofrem desgaste natural junto com suas pastilhas, mas este processo é lento. Além disso, trocar um disco é simples e rápido. 

Pneus mais largos, mais conforto

Outra grande vantagem dos freios a disco é que, por não passarem por cima da roda, eles permitem a instalação de pneu maiores na bike, o que costuma se traduzir em muito mais conforto para suas pedaladas.

Além disso, por terem mais volume de ar, pneus maiores sofrem menos com furos estilo “mordida de cobra”, que são aqueles que acontecem quando atingimos um buraco que prensa a câmara de ar. Quando o asfalto está mais judiado, eles também rolam mais rápido do que os pneus finos. 

Mais potência e modulação

Via de regra, freios a disco oferecem mais potência do que as ferraduras convencionais. Isso quer dizer que você precisa aplicar menos força na mão para segurar a bicicleta, algo que faz bastante diferença em descidas mais longas e frenagens de emergência. 

Além disso, os freios a disco são mais fáceis de controlar, o que reduz as chances de perder o controle da bicicleta quando uma das rodas trava, por exemplo. Na chuva ou em condições adversas, a modulação consistente dos discos é um ponto super positivo. 

Superaquecimento dos aros 

Um freio, seja ele qual for, funciona transformando energia cinética em calor, através do atrito entre duas superfícies. No caso do freio a ferradura, quem recebe este calor é o aro e, por consequência, o pneu. 

Em aros de alumínio, isso não costuma gerar problemas. Mas, em raros casos, pode acontecer da temperatura subir drasticamente, aumentando a pressão de trabalho dos pneus – em casos super extremos, ele pode até explodir.

Em aros de carbono, por outro lado, o surgimento de problemas costuma ser bem mais frequente, já que a alta temperatura pode desestabilizar a resina que une o tecido de carbono, causando a delaminação do aro – mesmo com componentes renomados, este tipo de problema pode acontecer. 

Manutenção

O freio a disco não tem nem mais nem menos manutenção do que uma ferradura tradicional. Na verdade, neste quesito, a única coisa que muda é o tipo de cuidado que cada sistema deve receber.

Nos discos, o mais básico é trocar as pastilhas, algo realmente muito simples de fazer e, caso ele seja hidráulico, fazer uma sangria de tempos em tempos. 

Já nas ferraduras, você precisa trocar as sapatas e, de tempos em tempos, substituir o cabo e o conduíte – o mesmo vale para discos mecânicos.

Olha o breque!

Tudo no mundo passa pelo processo de evolução, e isso não poderia ser diferente com o sistema de freios das bicicletas de estrada. No caso dos discos, apesar das vantagens serem menos gritantes do que no mountain biking, com certeza elas ainda estão presentes.

Por isso, quando for pegar sua próxima road bike, vale a pena investir em um modelo que já conte com esta tecnologia. Afinal, ela será cada vez mais comum daqui para frente e, na hora de passar a bike para frente, com certeza isso afetará o preço de revenda – mas, isso é assunto para outra matéria!

Agora, bons pedais para você, de preferência com a segurança adicional do freio a disco!