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Por que você pedala?

Por que você pedala?

Esporte, lazer, locomoção e diversão. Entenda os motivos que fazem as pessoas pedalarem e viva o mundo sobre duas rodas!

A bicicleta é, com certeza, uma das máquinas mais versáteis já criadas pela humanidade. Afinal, mesmo sendo relativamente simples quando comparada com outros veículos, a bike é capaz de desempenhar centenas, ou talvez milhares, de funções diferentes – com isso, ciclistas de muitos perfis têm seus motivos particulares para pedalar. 

No texto abaixo, você vai conhecer alguns destes ciclistas, entendendo um pouco mais sobre suas histórias com a bike, e os motivos que fazem com que eles continuem pedalando. 

Ana Paula – Acabando com a depressão e espalhando o bem sobre duas rodas

Apesar das diversas comodidades e vantagens da vida moderna, a depressão transformou-se em um dos maiores males do século e, para as próximas décadas, a tendência é que esta doença terrível torne-se cada vez mais comum. Mas, não é preciso ser especialista para saber que, além do tratamento correto, a atividade física é uma das melhores maneiras de combater o problema. 

A história da Ana com a bike começou quase que de forma acidental. Isso porque, sofrendo de depressão, ela já havia procurado diversas atividades físicas para praticar, mas no fim sempre acabava abandonando a prática por um motivo ou outro – ao menos até ser apresentada para a bicicleta, através de um amigo ciclista. 

“Estava em um momento desesperador, passando por uma depressão muito forte, e já havia tentado diversas atividades físicas. Um dia, vendo um amigo pedalar, perguntei a ele o que eu precisava para começar a andar de bike. A resposta dele foi ‘apenas uma bicicleta”, contou Ana.

“Meu filho havia ganhado uma bicicleta e, com isso, combinei com meu amigo de fazer um pedal de 12km já no dia seguinte. Comentei com meu marido e ele falou para eu ir, mas que não queria ouvir reclamações de dores no corpo depois. No fim, fui mais para desafiar meu marido e acabei me apaixonando imediatamente pela bike”, contou ela.

“Hoje, fazem 4 anos que pedalo e, depois que meu marido viu o bem que a bike me fez, ele acabou comprando até uma nova bicicleta para mim. Agora sou outra pessoa, fiz muitas amizades, conheci pessoas super legais que eu jamais conheceria. Hoje, curei minha depressão, tenho outros pensamentos e os problemas que eu tinha, já não tenho mais. Minha vida mudou completamente depois da bicicleta”, complementou. 

O mais legal dessa história é que, depois de encontrar o caminho da felicidade sobre duas rodas, a alegria da Ana espalhou-se para todos ao seu redor, inclusive para seu marido e seus filhos, que também aderiram aos pedais. 

“Percebendo o tanto que minha vida mudou, meu marido comprou uma bike para ele, outra para o meu filho e uma para minha filha. Agora, todos nós pedalamos. Além disso, incentivei minha irmã, meu cunhado, minha sobrinha e até minhas amigas de trabalho” afirmou Ana. 

“Hoje, vejo que sou uma das maiores incentivadoras de pedal da minha cidade. Temos um grupo de pedalada e encontrar as pessoas é sempre motivo de festa. Minha família foi restaurada e meu relacionamento com meu marido mudou. Meus filhos só saem de casa para pedalar, sempre com pessoas do esporte, e isso é uma grande tranquilidade. Por isso, agradeço muito meu amigo que me apresentou para a bike”, finalizou.

Gustavo Batista – A bike como união com a família e momentos de introspecção

Para algumas pessoas como a Ana, a paixão pela bike vem de uma hora para outra, quase que de forma inesperada. Já para outras, o relacionamento com a magrela foi uma sementinha plantada já na infância – este é o caso do Gustavo Batista.

“A bike, para mim, representa duas situações que se unem em uma só. Comecei a pedalar quando era pequeno, com meu pai, que sempre me incentivou a praticar o esporte”, contou Gustavo.

Mas, depois de cumprir sua missão, o pai do Gustavo acabou se afastando do esporte, ao menos até que seu filho interviesse para “devolver o favor” que ele recebeu durante sua criação. 

“Meu pai ficou uns 10 a 15 anos sem pedalar, até que dei a minha bike para ele em 2018, comprando uma nova para mim. Assim, pedalo com ele, que pedala todos os finais de semana religiosamente, quando eu posso”, afirmou Gustavo.

Além disso, ele afirma que a bicicleta é também uma maneira de digerir tudo o que acontece em sua vida, sendo ela uma ferramenta fundamental para a manutenção de seu bem-estar.

“Também pedalo sozinho, naquelas horinhas ou quilômetros de introspecção, pra pensar na vida e em tudo que passa na minha cabeça durante as várias horas do dia”, finalizou Gustavo.

Lázaro Moreira – A vida de atleta quase como uma surpresa

Atleta da Squadra Oggi, o piloto Lázaro Moreira é hoje um dos maiores expoentes do Mountain Biking nacional. Porém, diferente do que acontece com muitos outros atletas, a paixão dele pelas competições de bicicleta aconteceu já na adolescência – sinal que o talento sempre esteve com ele. 

“Sempre fui fã de bicicleta, mas não costumava treinar e fazer pedais longos. Andava na rua de casa, pulando obstáculos feitos a mão, apostando corridas com meus primos e assim por diante”, comentou Lázaro.

Mas, em 2017, essa história mudou com uma simples notícia no rádio de sua cidade, afirmando que uma corrida de bicicletas seria disputada na região. 

“Eu e meu irmão mostramos interesse, e nosso pai abraçou a causa. Antes da prova treinamos bastante, e meu irmão até me emprestou a bike dele, que era melhor do que a minha. Corri, peguei quarto lugar e, a partir daí, fiquei muito motivado para ir em outras provas”, explicou o atleta. 

“No mês seguinte, corri a Maratona Internacional e fiquei em terceiro lugar, o que me deixou muito feliz. Depois, descobri que só tinham três pessoas na categoria, e isso foi muito engraçado”, complementou. 

“Em 2017, fui campeão do Iron Biker e, em 2018, me concentrei em correr provas maiores e fui para o campeonato brasileiro. Fui campeão brasileiro na juvenil naquele ano, mas eu era tão novo que ainda não entendia o peso da camisa. Para mim, tudo era muito novo naquele ambiente, e eu não sabia qual era o verdadeiro sentido daquilo tudo”, afirmou. 

“Já em 2019, entrei na equipe da Oggi e, já com mais experiência, entendi o peso da camisa, e sabia da importância de tentar conquistá-la novamente. Consegui repetir o feito em 2019 e também em 2020. Agora, tenho três campeonatos brasileiro, três campeonatos mineiros e três Iron Bikers! O ano de 2021 está apenas começando, então tenho certeza de que muita coisa boa ainda está por vir”, finalizou Lázaro.  

Gustavo Figueiredo – Quando a satisfação profissional vive sobre o selim

O outro Gustavo dessa história sempre foi apaixonado pela bicicleta. Desde de criança, ele sempre foi o tipo hiperativo e viciado na adrenalina da velocidade. Além disso, por ser altamente interessado em consumir informações, ele acabou acumulando um enorme conhecimento sobre o mundo das magrelas – durante anos, este conhecimento não teve nenhuma utilidade prática.  

“Sempre fui criativo e inquieto, por isso ficar sentado na cadeira da escola sempre foi uma dificuldade enorme para mim. Isso gerou diversas dificuldades em meu aprendizado e, apesar de estar longe de ser pouco inteligente, sofria demais com o sistema de educação. Com isso, repeti de ano quatro vezes, e ainda demorei alguns anos para conseguir entrar na faculdade”, contou Gustavo.

“Depois de passar, sem sucesso, pela faculdade de fisioterapia e também pela de engenharia, finalmente encontrei minha formação profissional na faculdade de propaganda e marketing, curso que terminei com um dos melhores desempenhos da faculdade”, afirmou. 

“Entrei no mercado da propaganda e, por ser criativo, automaticamente me dei bem. Trabalhando como redator publicitário, o salário era ótimo. Mas, dentro de mim, sabia que aquele não era o meu mundo, e pouco a pouco uma insatisfação interna foi me consumindo. O ambiente tóxico das agências, as propagandas enganosas e os horários malucos eram demais para mim ”, afirmou.

“Depois de quase 10 anos nessa vida, resolvi arriscar e jogar tudo para o alto. Desisti de minha estabilidade financeira e arrisquei tudo para tentar viver de produção de conteúdo exclusivo para bicicletas. No fim, apesar de ter gastado todas as minhas reservas, consegui migrar de carreira com sucesso, e hoje vivo única e exclusivamente do mundo da bike. Posso garantir que, apesar de trabalhar até mais do que nos tempos da propaganda, a satisfação de falar todos os dias sobre algo que faz tão bem para as pessoas é grande demais”, finalizou.

Simplesmente pedale!

Para gostar de andar de bike, você não precisa ser atleta, nem pedalar centenas de quilômetros, ou fazer parte de um grande grupo e muito menos usar a bicicleta como meio de transporte todos os dias. 

Lembre-se que a paixão pela bicicleta é totalmente democrática, e o segredo para ser feliz com ela é justamente encontrar o tipo de pedalada que mais te agrada, sem se preocupar com o que os outros estão fazendo!

Bons pedais!