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Por que as bikes modernas têm menos marchas do que as antigas?

29 junho, 2022

Evolução da tecnologia permitiu simplificar os sistemas de marchas das bicicletas, facilitando a vida do ciclista

Se você tem um pouco mais de idade, certamente deve se lembrar de quando as primeiras bicicletas de marcha surgiram no Brasil, algo que aconteceu no começo dos anos 1970. Mas, caso você seja muito jovem para lembrar disso, basta dizer que, durante muito tempo, uma bike de 10 marchas era um verdadeiro luxo.

Com o passar dos anos, o número de marchas nas bikes foi aumentando, saindo de sistemas mais simples e evoluindo para bikes com 18, 21, 24 e até 30 marchas – antigamente, quanto mais, melhor.

Mas, de uns anos para cá, especialmente nas bicicletas de trilha, o número de velocidades nas bikes mais avançadas começou a diminuir e, atualmente, os modelos mais caros e avançados tem apenas 12 marchas.

Agora, você vai entender porque e como isso aconteceu.

De onde vem as marchas das bicicletas?

Muito provavelmente você já reparou que todas as bicicletas com marcha possuem engrenagens na roda traseira e também no pedivela, que são as hastes que seguram os pedais – pedivelas são manivelas para os pés.

Ao acionar as alavancas de controle no guidão, os câmbios mudam a corrente entre as engrenagens, que se chamam pinhões na roda traseira e coroas na pedivela.

Ao alterar o tamanho da engrenagem engatada, você obtém marchas mais leves ou mais pesadas, mais ou menos como engatar a primeira em um carro para pegar uma subida, ou a quinta para andar na estrada – cada uma das combinações entre pinhão e coroa é uma marcha.

Por isso, se a bike tem 7 pinhões atrás e 3 coroas na frente, existem 21 combinações possíveis – por isso, a bike tem 21 marchas.

Qual é a vantagem de ter mais marchas?

Ter mais marchas na bicicleta permite que o intervalo entre uma velocidade e a outra seja menor. Parece complicado, mas não é. Vale dizer que, assim como o motor de um carro, o corpo do ciclista funciona em uma faixa ideal de rotação.

Se os pedais giram muito devagar, eles ficam pesados demais para empurrar. Se eles giram muito rápido, você não consegue acompanhar a velocidade – essa rotação, que chama-se cadência, deve ficar entre 60 e 100 rotações por minuto.

Com diferenças pequenas entre as engrenagens, você consegue manter a suavidade da pedalada e, ao mesmo tempo, ter uma marcha super leve para as subidas e uma super pesada para os trechos de velocidade, sem que isso crie “buracos” na relação.

Por isso, durante muito tempo, os fabricantes de componentes de bicicleta investiram em aumentar o número de marchas, mas logo isso gerou outras complicações, especialmente com a evolução das bikes de trilha.

Mais marchas, mais complicação

Como você percebeu, ter muitas velocidades na bicicleta depende do uso de dois câmbios, o dianteiro e o traseiro. Mas, por conta de como eles funcionam, o câmbio dianteiro simplesmente não consegue ser tão eficiente quanto o traseiro – via de regra, as trocas dianteiras são mais lentas e imprecisas.

Além disso, ter 30 combinações possíveis não quer dizer que você tem 30 marchas diferentes, já que muitas vezes elas acabam sendo redundantes. Outro detalhe é que existe um limite de inclinação que você pode colocar na corrente da bike.

Por isso, não é recomendado “cruzar” a corrente, algo que acontece quando você engata a coroa pequena e o pinhão pequeno, por exemplo. Rapidamente, você percebe que aquelas 30 marchas não são “de verdade”.

Para as bikes de trilha, que sempre encaram variações grandes na inclinação do terreno, todos esses fatores foram se somando e, no fim, ficou claro que valia a pena simplificar o sistema, reduzindo o número de marchas no câmbio dianteiro.

Mais simplicidade e velocidade

Percebendo que as bicicletas de trilha poderiam ser simplificadas, sem prejudicar o desempenho, o primeiro passo dos fabricantes de componentes de bicicleta foi reduzir o número de velocidades no câmbio dianteiro e, para compensar, aumentar no traseiro.

 

Em um primeiro momento, o número de coroas na frente caiu de 3 para 2, enquanto as velocidades traseiras subiram de 7, para 8, 9, 10 e até 11 velocidades. Mas, em 2012, a SRAM apresentou seu primeiro grupo com apenas 1 coroa na frente e 11 marchas atrás, colocando no mercado o conceito dos grupos de MTB que dispensavam completamente o câmbio dianteiro.

Apesar de ter trocas rápidas e precisas, a tecnologia mostrou-se limitada. Isso porque, com apenas 11 marchas, era impossível ter relações super leves e super pesadas, sem criar os tais “buracos” na relação – por isso, o uso deste sistema era um pouco mais limitado.

Alguns anos depois, a evolução da tecnologia permitiu criar grupos 1×12, com uma coroa na frente e 12 pinhões atrás, solucionando quase que completamente as limitações dos grupos com apenas 1 coroa, com diversas vantagens do ponto de vista do funcionamento.

Por não ter câmbio dianteiro, este tipo de sistema permite ir das marchas leves para as pesadas, e vice-versa, de maneira muito mais rápida e simples.

Com isso, por exemplo, você tem muito mais facilidade para continuar pedalando quando uma descida inclinada transforma-se em uma parede em poucos metros – algo bem comum em trilhas mais técnicas.

Além disso, por ter apenas uma alavanca de controle, os sistemas 1x são muito mais simples para quem está começando a pedalar – Neste artigo, aprenda como trocar as marchas da sua bike corretamente.

Mas, nem tudo são maravilhas

Apesar das bicicletas com uma coroa serem amplamente preferidas por quem pedala na trilha, a bem da verdade o sistema não é perfeito. Isso porque, mesmo com 12 velocidades, este tipo de relação ainda vai apresentar alguns buracos e, no fim das contas, a diferença entre a marcha mais pesada e a mais leve não pode ser muito grande.

 

Nas trilhas, esses detalhes realmente não fazem diferença, mas a situação muda bastante em bicicletas de estrada, onde a manutenção da cadência perfeita é super importante, e a diferença entre a velocidade máxima e a mínima é muito maior do que no MTB.

Por isso, apesar de existirem grupos de estrada com apenas uma coroa, definitivamente a imensa maioria dos ciclistas, inclusive os do pelotão profissional de alto rendimento, ainda preferem suas bicicletas com duas coroas na frente, mesmo que elas tenham 12 velocidades atrás.

E por que não colocar 30 marchas na traseira?

Para colocar mais pinhões na traseira da bike, os componentes foram ficando cada vez mais finos. Portanto, uma corrente de 12 velocidades é bem mais estreita do que uma de 6. Como você deve imaginar, existe um limite de durabilidade e resistência para a largura de uma corrente.

Além disso, correntes finas e pinhões perto uns dos outros exigem que tudo esteja funcionando perfeitamente, já que as tolerâncias são muito menores.

Vale destacar que alargar a traseira da bike também não é uma opção, já que em algum momento a corrente teria que trabalhar em um ângulo muito grande. Além disso, os pedais da bike teriam que ser afastados um do outro, algo que fica limitado pela anatomia humana.

Por isso, a não ser que a tecnologia dê outro salto, não espere encontrar bikes de estrada com apenas uma coroa tão cedo.

Conclusão

Como você reparou, especialmente nas bikes de trilha, a redução no número de marchas é uma grande vantagem, especialmente para quem quer mais rendimento, simplicidade e agilidade nas trilhas.

Por isso, todos os modelos da linha de Mountain Bikes da Oggi com foco em desempenho já apostam na tecnologia dos grupos 1×12, oferecendo tudo o que você precisa para encarar trilhas, estradões de terra, treinos e competições com um ótimo rendimento!

Por isso, vá de Oggi!

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